17 de janeiro de 2010

Falências em Portugal disparam 50%

O número de declarações de insolvência em Portugal por parte dos tribunais aumentou 49% no ano passado, um crescimento que reflecte o impacto da crise económica. De acordo com a Coface, o número insolvências solicitadas cresceu 50%, enquanto a constituição de novas empresas baixou 15%.De acordo com o relatório divulgado esta tarde pela Coface, no decorrer do ano 2009, na continuidade de 2008/2007,verificou-se um aumento substancial das declarações de insolvência pelo tribunal de cerca de 49%, atingindo um total de 1251. Já as acções de apresentação à insolvência pela própria empresa, “para tentarem obter um Plano de Insolvência ou para os accionistas limitarem as suas responsabilidades”, ascenderam 1467, registando uma forte subida de 50%, ainda assim inferior à verificada em 2008, quando cresceram 64%.O total de acções/decisões de insolvência em Portugal aumentou 36,2%, passando de 3.267 acções publicadas em 2008 para 4.450 acções publicadas em 2009.“A análise mensal evidencia uma diminuição das Constituições ao longo de 2009, a aceleração das Declarações de Insolvência a partir de Junho de 2008 e das acções de insolvência apresentada e requerida a partir do segundo semestre de 2009”, refere o relatório da Coface.Por outro lado, no que diz respeito a constituição de novas empresas, houve um decréscimo de 15%.Dados que mostram o impacto da crise em Portugal, que levou ao fecho de um maior número de empresas e à queda no ritmo de criação de novas empresas.

14 de janeiro de 2010

Portugal enfrenta risco de "morte lenta"

Portugal e Grécia são dois países que enfrentam o risco de uma “morte lenta”, caso os respectivos Governos continuem a ser obrigados a reservar uma parcela crescente da produção nacional ao pagamento das dívidas contraídas e respectivos juros.

O cenário, descrito em termos alarmistas, é traçado pela Moody’s, a agência de “rating” que diz estar à espera do novo Orçamento de Estado para decidir se vai voltar a baixar a notação de risco da República portuguesa, aconselhando, deste modo, os investidores a cobrarem juros mais altos para financiar as políticas públicas nacionais.

Ao longo de um extenso relatório dedicado às perspectivas de evolução da dívida soberana dos países europeus, a Moody’s atrela recorrentemente o caso grego ao português, considerando que ambos falharam no saneamento das finanças públicas durante os tempos das "vacas gordas" – que, por cá, foram quase sempre magras – e que são “os dois exemplos de países que exibem uma baixa competitividade estrutural” no seio da Zona Euro, que se reflecte em elevados défices externos.

Neste contexto, a Moody’s diz que o risco de uma “morte súbita”, deflagrada por uma crise na balança de pagamentos, corresponde a uma probabilidade “negligenciável”. Mas, em contrapartida, a agência de notação de risco considera “provável” um cenário de “morte lenta” – que faz lembrar o tal “definhamento” a que Ernâni Lopes há muito considera estar condenada a economia portuguesa.

Porquê? Porque a falta de competitividade estrutural acabará por resultar numa “sangria de potencial de crescimento” e, logo, numa redução na capacidade de os Estados arrecadarem receitas fiscais, obrigando-os a afundarem-se, ainda mais, na espiral de endividamento em que já mergulharam.

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